VIOLÊNCIA POR PROCURAÇÃO

Por: John Hembling (John the Other)

Este artigo fala certas coisas que deveriam ser óbvias sobre violência e sobre homens. Aqui, como em outras escritos do mesmo autor, eu vi algumas coisas que eu mesmo penso há tempos. Eu fiquei feliz em ver que ele e outros perceberam o mesmo.

É o caso da “arma na sala”, criticada por alguns entre nós, mesmos, que não admitem que a institucionalização da autorização ou predisposição violenta contra um grupo, equivale a uma arma carregada e apontada para aquele grupo, 24H por dia.

A relação homem e violência é mais complexa do que atualmente se costuma supor. Inclusive e principalmente quando a ignorância e o desprezo pelos homens leva ao discurso simplista que retrata os homens como inerentemente violentos. Ou a violência masculina como inerente à “diretiva machista de truculência e obsessão pelo poder”.

A violência masculina é um problema para todos nós, especialmente para os homens, que são o maior alvo dessa violência hoje, como sempre foram.  Ao mesmo tempo, os homens não são quem mais teme a violência, justamente porque esse tipo de mentalidade em um homem é fundamental para as nossas sociedades, que escolheram os homens como realizadores e alvos preferenciais da nossa violência.

A verdade é que a sociedade não quer o fim da violência. Nossas sociedades são construídas com a violência, se mantem usando violência. Violência faz parte da dinâmica das relações comerciais, políticas, sociais e internacionais, de diversas formas. Ela não deixará de existir, porque nós não queremos isso, nem sabemos, nem podemos, viver sem violência até hoje. Nós não queremos o fim da violência.

E nós, a sociedade, queremos os homens violentos. O nosso problema, o que nos causa uma revolta profunda contra eles, é quando a violência dos homens acontece de uma forma que não nos convém.

E é nesse momento que queremos eles recebam a nossa reação violenta, de alguma forma que nos satisfaça. Para isso, queremos dispositivos legais e culturais para que a “honra” e o dever de outros homens  seja prontamente providenciar isso para nós.

O provérbio “Se as mulheres governassem o mundo…” não é tão popular em português quanto é comum na língua inglesa.

Existe também uma versão em vídeo, com legendas em PT-BR e introdução da Girlwriteswhat aqui.

Um forte abraço,

Aldir Gracindo.

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“Se as mulheres governassem o mundo, não haveria guerras.”

Essa não é uma frase facilmente atribuível a qualquer pessoa em particular, mas é uma ideia que entrou no pensamento dominante e encontra fácil concordância.  A frase é de fato uma citação errada da atriz Sally Fields que disse durante um discurso de aceitação do Oscar em 1980: “Se as mães governassem o mundo, não haveria guerras”.

Violência, ou ameaça de violência – muitas vezes atribuída ao Movimento pelos Direitos dos Homens, é uma das principais focos de ataque de oponentes deste movimento que exige Direitos Humanos para homens e meninos.  Esses ataques não são apenas falsos, são o oposto da verdade. Embora não apenas isso, é verdade que o Men’s Rights Movement é um movimento antiviolência. De fato, um dos principais motivos de rejeitarmos a ideologia que se opõe aos direitos humanos masculinos é a violência inerente àquela ideologia.

Isso é frequentemente repetido no que se escreve sobre direitos dos homens, mas é ignorado ou mal interpretado por ideólogos apegados a sistemas oposicionais de dogma. Escritores conformistas seguindo uma narrativa populista continuam recitando versões da alegação simplista e falsa de que violência tem gênero e que os homens são, em virtude de identidade sexual, a fonte da violência e predação em assuntos humanos. Quando examinadas claramente, o absurdo e ódio dessas declarações é evidente. Porém, a fim de entender as bases pelas quais rejeitamos a ideologia que se opõe aos direitos humanos masculinos, devido àquela ideologia ser basicamente violenta, o uso da força por procuração deve ser examinado e entendido.

Se duas pessoas tem uma divergência de opinião e uma delas tenta sobrepujar o ponto de vista da outra ou mudar seu curso de ação pelo uso de violência, isso é violência direta, que está em conformidade com o entendimento que a maioria das pessoas tem do que é violência. Isso é uma realidade objetiva, mas imaginar que toda, ou mesmo a maior parte da violência se encaixa neste modelo extremamente simples é um conceito incompleto. No mundo real, a violência é raramente demandada e realizada pelo mesmo indivíduo. A maioria da violência é realizada por procuração.

Soldados enviados a países estrangeiros, aos quais se atribui deveres como o de matar pessoas marrons sobre terras petrolíferas estão realizando, como procuradores, a violência dos políticos cujas ordens executivas os enviaram lá. Isso me lembra este livro.

Oficiais de polícia respondendo a uma mulher que alega que seu namorado fez algo que a amedrontou, que o algemam ou removem da casa antes de fazer perguntas ou investigar, quer a queixa tenha ou não mérito, estão realizando a violência por procuração em nome daquela mulher.

Um homem que usa violência contra outro porque o alvo daquela violência ofendeu ou insultou alguém cujos favores o agressor deseja está viabilizando por procuração a violência daquela pessoa.

Uma mulher que comunica a ofensa por sua honra impugnada a homens cavalheirescos para que eles o corrijam em favor dela está, em muitos casos, solicitando violência por procuração.violencia mulher 2 - Copia

Esses são exemplos escancaradamente óbvios de violência por procuração, mas muitos outros tipos, usados em diferentes níveis, podem ser listados.

Numa sociedade em que um grupo é sabido ser majoritariamente vítima da violência criminosa, o direcionamento exclusive de esforços para reduzir a violência contra o grupo menos atingido é a implícita promoção da brutalização em andamento contra o primeiro grupo. Isso é manutenção da violência por procuração.

Muito mais exemplos poderiam ser mostrados, mas são omitidos aqui por brevidade. A questão é que a violência no mundo real não ocorre num vácuo em que os participantes diretos, o agressor e a vítima da ação violenta, operem sem relação com outros atores participando indiretamente. Adultos com uma noção funcional da realidade já estarão cientes disso; porém, tais indivíduos formam uma pequena, diminuta fração do público em geral.

Vários escritores referindo-se a subculturas dentro do Movimento, como a “masculinidade zeta” e os MGTOW (Men Going Their Own Way) – inclusive eu mesmo – já rejeitaram explicitamente a violência em suas filosofias. Isso inclui a expectativa social de realizar a violência dos outros por procuração, o que parece ser aceito como normal dentro da retórica social conservadora. É a pretenso requisito para os homens automaticamente realizarem, ou se voluntariarem como alvos, da violência em nome de outros. Esta expectativa social é totalmente irracional, não apenas na aceitação automática da violência ou em sua realização, mas também na desvalorização da vida e segurança de qualquer indivíduo de quem se espera aceitar a violência por procuração socialmente requerida.

É surpreendente quando críticos deste ponto de vista caracterizam a rejeição explícita da violência como apoio ou defesa do uso violento de força, como a proibição de requerer a Certidão Negativa de Antecedentes Criminais. em vagas de trabalho O grau de distorção ideológica necessário para a transmutação retórica de oposição à violência em entusiasmo por violência provoca a necessidade de explicar essa reação. Podem esses críticos estar simplesmente mentindo? Sofreriam de alguma forma de demência? Ou a sua ideologia é tão empedernida que uma realidade inteiramente ficcional se sobrepõe ao que seus olhos e ouvidos filtram antes que possam processa-lo?

Um exemplo disso pode ser a denúncia de um grupo de ideólogas cujo discurso público faz a defesa aberta da eugenia. Uma escritora usando o pseudônimo Vliet Tiptree publicou um emotivo chamado para um programa de extermínio. Muitos meses depois, esta invectiva de pesadelo permanece online a despeito do conhecimento público que se seguiu aos comentários sobre aquela insanidade, por defensores de direitos masculinos em nosso site. Porém, outros ideólogos, que se arrogam opositores de organizações de ódio, listaram como perigosos os ativistas que expuseram e se opõem a esse incentivo à eugenia, omitindo o autor e apoiadores daquela convocação, ainda publicamente visível, de extermínio seletivo de seres humanos por sexo, como se não fossem instigadores de ódio. Pior, a mesma organização previamente exposta pela sua defesa da eugenia e infanticídio agora está abertamente pedindo dinheiro em favor da pretensa organização anti-ódio.

O Southern Poverty Law Center agora é abertamente patrocinado por uma organização que publicamente convoca à eugenia sexualmente seletiva e infanticídio, além da alienação parental.

Nem hipocrisia, nem corrupção são adequadas para qualquer tentativa de descrever uma situação assim.

Para retornar à discussão da violência indireta e violência por procuração: em todo o mundo, a violência por procuração é a regra e não a exceção. Começando em janeiro de 2011, Egípcios protestaram e se reunido publicamente em oposição ao presidente Mubarak. Nessas demonstrações, as forças de segurança de Mubarak brutalizaram com cassetetes, canhões de água, atropelamento com caminhões e tiros, inúmeros jovens homens egípcios. Estas forças de segurança despejaram uma torrente de violência brutal contra a população civil egípcia.

Em toda essa barbárie, é necessário notar que tudo isso é violência por procuração, não a volição individual de membros dessas forças de segurança para engajar-se em campanhas coordenadas de agressão e assassinato públicos. No entanto, em dezembro de 2011, durante um protesto em que centenas de civis foram confrontados por forças de segurança infligindo a violência de Mubarak, uma mulher foi jogada no chão, chutada e agredida a cassetetes por vários membros da segurança e teve suas roupas parcialmente rasgadas, revelando seu sutiã azul. Essa certamente não foi a única mulher sujeita à agressão pública pelas forças de Mubarak – e deve-se notar que milhares de homens foram brutalizados, comparados a relativamente poucas mulheres. No entanto, no ultraje internacional por, entre de milhares de homens mortos, alvejados e espancados a cassetetes, algumas mulheres foram similarmente agredidas ninguém pareceu perceber o significado do protesto das mulheres egípcias em resposta ao incidente.

Ultrajadas por um algumas mulheres terem sido objeto à violência que milhares homens protestantes sofreram, na terça-feira, 20 de dezembro, centenas de mulheres egípcias foram às ruas cantando: “Arrastem-me, dispam-me, o sangue dos meus irmãos me cobrirá”.

Empilhando-se como lemingues, a mídia internacional rumorosamente denunciou a horribilíssima brutalidade sofrida por algumas mulheres egípcias – como se os milhares de homens espancados a cassetetes, atropelados com caminhões, torturados e mortos de várias formas não simplesmente não contasse. E mais, ninguém pareceu notar que os milhares de mulheres protestando pelo espancamento público da mulher de sutiã azul estavam empenhando não a si próprias em protesto, mas a seus irmãos. “Arrastem-me, dispam-me, o sangue dos meus irmãos me cobrirá.”

A abjeta falência moral inerente a esta promessa e a total incapacidade da comunidade internacional de sequer notar que numa nação governada pelo islamismo, supostamente opressor de mulheres, milhares de mulheres ultrajadas por algumas terem sofrido violência similar à que MILHARES de homens sofreram, essas mulheres juraram o sangue de seus irmãos em retribuição.

Esta é a abjeta e total descartabilidade dos homens, o entendimento da TCS Brasil é a promessa de cometer e ser receptáculos de violência como procuradores das protestantes femininas – à mostra para o mundo inteiro ver, à luz do sol mediterrâneo – “o sangue dos meus irmãos me cobrirá”, prometido publicamente pelas mulheres egípcias ofendidas. Isso é violência por procuração, e muitos daqueles irmãos a assumirão, nunca sequer percebendo que eles são seres humanos secundários, a ser usados e mortos para fazer frente ao privilégio ultrajado de suas irmãs e mães.

Desde que a violência por procuração seja entendida e reconhecida, à parte da visão simplista e mais comum da aplicação direta sobre a aplicação violenta de força, se torna útil revisitar o fato óbvio de que a violência é repugnante e repulsiva para seres humanos éticos. Vale dizer, a violência direta é repulsiva e repugnante para a maioria de nós, por algumas razões práticas. A violência comporta um alto custo social, moral e físico para qualquer um que a use diretamente. A administração de violência direta contra outra pessoa irá produzir ostracismo social, as penas da lei, assim como o risco real de ferimento pessoal ou morte. Todo adulto entende isso instintivamente, então é claro que ela nos é repulsiva. E é por isso que a violência por procuração é tão universalmente preferida por aqueles cujas incapacidades morais os conduzem ao uso de força em assuntos mundanos.

A Guerra é uma das aplicações mais comuns e em larga escala da violência por procuração em assuntos humanos. Todavia, realizar o ilusionismo necessário para manipular milhares de homens para viajar além-mar e assassinar estrangeiros de pele marrom sobre terras petrolíferas, e festivamente cumprir o papel de receptáculos de violência, não é tarefa simples. Até um governo chegar ao embarque de homens para morrer, ser desmembrados, matar e desmembrar estrangeiros, é necessário cultivar a percepção pública de que os estrangeiros ou são vítimas a ser resgatadas ou retratados como horríveis e malignos sub-humanos que precisam ser impedidos. Isso é reconhecível como um padrão precedendo cada incidente dos Estados Unidos estendendo seu império há muitas décadas.

Saddam tem armas de destruição em massa. O Iraque sob Saddam é uma ameaça existencial à paz. O povo iraquiano deve ser libertado da opressão que sofre sob o regime despótico de Saddam Hussein. Todos esses argumentos foram rotineiramente propagados pela grande mídia antes da invasão estadunidense do Iraque. Vale dizer a narrativa de uma ameaça mortalmente perigosa foi fabricada e evangelizada em preparação para as centenas de milhares de jovens homens norte-americanos realizarem a violência por procuração de seu Estado contra milhões de iraquianos que foram mortos através daquela violência.

Trata-se da criação e venda de uma narrativa pública de perigo e desumanização de um alvo a ser tido como alvo aceitável para futura violência. Um fenômeno similar ocorre quando o aparato pseudo-estatista do Southern Poverty Law Center propaga listas de grupos de ódio, ou “potenciais” grupos de ódio, incluindo PUAs, organizações sociais conservadoras como as Concerned Women of America e MRAs². Isso é tão ululantemente óbvio quanto o cultivo da aceitação pública de futura violência por procuração contra os alvos nomeados. Cuidadosamente omitida foi uma organização ainda abertamente defendendo o assassinato de crianças e eugenia com base em sexo. Conquanto o levantamento de fundos para o SPLC possivelmente explique essa omissão. Claro, apontar a relação financeira entre um grupo que convoca a extirpação de seres humanos com base em seu sexo e uma organização que alega se opor a organizações de organizações de ódio é tão aberrante que se torna não intencionalmente cômico.

Porém, a despeito da aversão e repugnância natural da maioria das pessoas à violência direta, o uso indireto de força violenta passa fácil para qualquer um capaz de desconectar o início da violência da sua subsequente prática e aplicação. Pode ser argumentado que os homens, tradicionalmente realizadores e recebedores da violência por procuração de outros, tenham um entendimento superior e uma maior aversão à violência do que as mulheres. Mas isso é apenas uma conjectura, posta como uma questão para exploração posterior e não a afirmação de uma opinião.

A despeito disso, homens e mulheres parecem dispostos a alegremente ignorar a violência feita por outros ou a outros, para benefício ou conveniência deles. A violência feita por eles é o que quase todos estão dispostos a ignorar. E mais, a violência feita a eles indiretamente, violência na forma de uma arma invisível dentro da sala enquanto todos fazemos de conta que não estamos sendo ameaçados de morte ou aprisionamento sempre que temos uma conversa autoilusória. Uma conversa sobre como a violência tem gênero, que os homens é que são violentos, brutais, malignos. Congratular-nos-emos por, em vez de ser aqueles homens maus, nós somos homens bons. E no caso das mulheres, claro, todas as são boas, porque as no que lhes diz respeito, elas geralmente não carregam o peso de cometer e, o mais conveniente para todos, sofrer, a violência por procuração de outros.

Mas nós estamos dispostos a fingir que a violência por procuração não obscurece nossas decisões e pretendemos estar acima dela e que a violência que denunciamos não é a nossa. É de uma outra pessoa. Em vez de ver a covardia de se aceitar a violência por procuração, nós simplesmente conseguimos atribuir seu custo em dano, dor e fracasso moral suportado por outros. Por homens, óbvio, e isso combina perfeitamente com a narrativa que preferimos: a de que a violência é simples, direta e que os homens são os que a cometem.

Porque os críticos do Movimento por Direitos dos Homens persistem em agir como se fossem incapacitados, destituídos de realidade e desprovidos de entendimento, eu vou terminar com mais uma repetição do que deve ser, para um expectador são, sentido no âmago dos seus ossos: que a violência é repulsiva para seres humanos éticos.